quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MENSAGEM DE S. EXª SR. PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Foi anteontem que S. Exª o Sr. PR se dirigiu ao País, tal como o havia prometido, a propósito das alegadas vigilâncias ou escutas do Governo - S- Bento -, ao Sr. PR - Belém -.
No final dessa comunicação e como é hábito, tomaram a palavra em todas as TV's os comentadores ou melhor os sábios do regime que sabem tudo - Delgado, Bettencourt Resendes, Ricardo Costa, António José Teixeira, etc... -, e duma forma mais ou menos desabrida desancaram na comunicação do Sr. PR, expondo-o ao ridículo e, indo até mais longe, insinuaram a sua insanidade mental.
Desde então, assistimos à continuação do enxovalho, à chacota da comunicação do Sr. PR na imprensa, nas ruas...
O Poder caíu mesmo na rua...
É altura de dizer basta!
Comecemos pelo princípio:
Após o Governo de José Sócrates de 2005:
Quem não se lembra da célebre história do Professor Charrua?
Quem não se lembra da Lei de Segurança Interna, feita pelo Governo de JS, onde o Primeiro-Ministro fica dono e senhor de toda a informação confidencial?
Quem não se lembra do Procurador-Geral da República ter dito nas televisões, alto e bom som, que desconfiava que o seu telemóvel estava sob escuta porque fazia uns ruídos esquisitos?
Quem não se lembra do Jornal Nacional da TVI das sextas-feiras, apresentado por Manuela Moura Guedes ter sido classifcado de incómodo pelo PM e, posteriormente, ter sido silenciadode uma vez por todas?
Quem não se lembra de ter visto nas TV's um vídeo onde um tal Charles Smith apelidava o ministro de então, hoje PM, de CORRUPTO, no chamado caso Freeport?
Quem não se lembra de ouvir o Presidente do Sindicato dos Magistrados do Mº Pº dizer em várias TV's que havia pressões sobre os Magistrados que estavam a investigar este caso Freeport e, por isso, pediu uma audiência ao Sr. PR, passando até por cima do PGR?
Quem não se lembra que o Sr. PR recebeu e ouviu o Presidente e alguns elementos do SMMP?
Chegados aqui, cabe perguntar:
Desde Abril de 1974, alguma vez se sentiu no ar um clima de suspeição sobre vigilâncias e escutas sobre as pessoas como agora?
Quantas vezes ao telefone suspeitamos que estamos a ser escutados? Porque será?
No caso do Sr. PR é para mim evidente - ao contrário dos referidos comentadores que fizeram chacota e que disseram que ele não teria nada de interessante ou de relevante nos seus e-mails para ler e de se saber -, dizia eu que é evidente que o Sr. PR poderia ter mensagens de funcionários públicos que se queixavam do sistema de " bufaria " que se instalou na Função Pública; do Sindicato dos Magistrados que se queixavam das pressões que existiam no caso Freeport que, NOTE-SE, envolve, pelo menos, o nome do PM e onde é apelidado de CORRUPTO..., etc...
Com todos estes casos, como é possível que os referidos comentadores de serviço ou grande parte deles ridicularize o correio electrónico e a mensagem do PR ao país e diga que esse correio electrónico nada de relevante poderia conter???
Para mim e penso que para a maioria dos portugueses esclarecidos o problema da suspeição de vigilâncias e de escutas ilegais, feitas por ordem do Governo, EXISTE...
O grande porblema é que sendo essas vigilâncias e essas escutas ilegais e, por isso mesmo, não estando registadas em nenhum processo que possa ser público, é evidente que apenas 2 ou 3 pessoas saberão da sua existência e a respectiva prova é praticamente impossível de se fazer...
O que queriam os mencionados comentadores e as pessoas que agora ridicularizam a mensagem do PR? Queriam que o autor material das escutas deixasse um post-it a informar da hora em que se iniciou a escuta?
Por amor de Deus, tenham juízo e pensem que uma pessoa como é o Sr. PR, reservado por natureza, para fazer a mensagem que fez ao país só pode ser porque os factos são extremamente GRAVES!
O que se poderá questionar é o timing da comunicação, por ter sido feita apenas depois das eleições e não antes já que os factos eram tão graves...
Para mim e sem querer desculpar o Sr. PR, que não precisa, há apenas uma razão: o pretender ser isento, imparcial e equidistante a todos os partidos políticos e não querer imiscuir-se na campanha eleitoral, para onde, de resto, o tentaram empurrar...
Confesso que, enquanto português, estou MUITO PREOCUPADO e MAIS PREOCUPADO fico quando a propaganda chega ao ponto de obnubilar a esmagadora maioria dos portugueses...
Veremos se, no futuro, o Sr. PR tinha ou não razão...